Dezembro de 2025.

 

A minha última obra do ano de 2025 se apresenta como um fechamento simbólico e emocional desse ano.

 

Feita sobre um pedaço de papelão (que é um material transitório), ele sustenta toda a composição, e remete à passagem e improviso, uma metáfora clara de um ano vivido em adaptação constante.

 

O guarda-chuva é o eixo central da narrativa da peça. Ele é um objeto associado à proteção, e aqui ele aparece deformado, tensionado por forças internas e externas.

Não quis buscar a perfeição formal com o desenho do guarda-chuva. 

 

A frase “PROTECTION IS NOT SAFETY. THE STORM WITHIN MAKES YOU FRAGILE” é como uma sentença existencial: se proteger não garante integridade quando o conflito vem de dentro, o abrigo falha não por ser frágil, mas por ser exigido além de sua função.

 

O bordado em ponto cruz é o coração emocional da peça. Ele não aparece apenas como técnica, mas como memória encarnada. É uma referência à minha avó, quando na minha infância, ela bordava toalhas na sala. Isso também trouxe um contraponto radical ao caos da imagem: cuidado, repetição, tempo lento e presença.

 

A folha de ouro na obra aparece como um elemento quase silencioso, mas decisivo: ela não iluminou a obra por completo, mas insinuou valor.

 

O cruzamento das técnicas e materiais utilizados (entre eles pintura, bordado e escrita manual) consolidou a minha linguagem híbrida, onde nada se impôs sozinho. Tudo coexistiu em tensão, assim como os diversos temas que atravessaram o meu ano.

 

Obrigado 2025.