Agosto de 2026.

 

“I AM NOT BARNEY” nasceu fazendo referência direta ao Barney, o dinossauro roxo que marcou minha infância. A referência infantil acaba contrastando com a estética tecnológica e artificial da obra.

 

Porém, a inspiração inicial de toda a composição surgiu de uma referência a um editorial produzido com IA por Viktoria T. (Instagram @_talina__). Eu simplesmente não reproduzi uma imagem criada artificialmente, mas a transformei em uma espécie de objeto físico, o materializando.

 

Ou seja, uma referência afetiva da infância reconstruída através de uma imagem contemporânea produzida por inteligência artificial e, posteriormente, transformada em pintura, com bordado e em um material que seria descartado.

 

É quase como se a obra perguntasse: “o que acontece quando uma imagem criada artificialmente é devolvida à matéria?” E a resposta não é uma reprodução perfeita. É uma imagem que carrega erros, gestos, tinta, impressão, costura, rasgos, sobreposições, textura, intervenção manual e marcas humanas.

 

As etiquetas de transporte preservadas na parte superior da composição foram totalmente intencionais. Elas acabam introduzindo no trabalho uma camada documental: existe uma história anterior daquele pedaço de papelão. Ele não nasceu como suporte artístico, ele foi embalagem, circulou, transportou objetos e teve uma função comercial antes de se transformar em obra.

 

E usar o papelão como suporte é particularmente significativo. O papelão corrugado, com suas bordas aparentes e sua aparência de material descartável, entra em contraste direto com o universo do digital.

 

O bordado em ponto cruz é o elemento que mais confronta a pintura, criando uma ponte entre artesanato tradicional e tecnologia digital.

Usando uma linha verde neon que brilha em luz negra, eu bordei o ambiente que remete ao modo offline do Google Chrome, no jogo do dinossauro que pula entre os cactos em um cenário também com nuvens. 

 

Nessa peça, aparecem textos, etiquetas, pintura e bordado. A obra, portanto, funciona quase como uma interface física, onde diferentes linguagens visuais acabam estando simultaneamente abertas.

 

O rosto pintado na obra nasceu a partir de uma foto minha pessoal.